Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Editora Karywa

2 de Novembro de 2014

Pessoal, escrevo para compartilhar uma nova opção para editar livros, a Editora Karywa. É uma editora especializada na edição de livros acadêmicos em Ciências Humanas. O vocábulo vem da Língua Geral amazônica e é amplamente utilizado pelos diferentes povos indígenas da região. Ele designa os não-indígenas. Portanto, karywa é um olhar a partir dos povos indígenas sobre o mundo ocidental. A editora, nesse sentido, também escolheu o tinteiro e a pena para utilizar como logomarca; simbologia muito apropriada para uma casa de publicação de livros e também denota a percepção indígena de um importante componente da fonte de poder dos karywa, a escrita.

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Por onde tenho andado…

13 de Agosto de 2009

Gente

No momento, tenho acompanhando o povo indígena Apurinã principalmente na área da educação. Sou responsável por um projeto do COMIN (Conselho de Missão entre Índios) entre o povo Apurinã. Como objetivo principal, o projeto visa contribuir na melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas da região, especialmente do povo Apurinã em Boca do Acre e Pauini (AM), fortalecendo e valorizando a cultura e a organização tradicional, bem como promovendo ações que contemplem melhorias na educação, saúde e etno-sustentabilidade. Mas como disse, o foco principal está voltado para a educação indígena, ou seja, tem como objetivo assessorar o desenvolvimento de uma educação diferenciada e de qualidade, cujos direitos estão assegurados pela legislação brasileira. Nesse sentido, tenho me empenhado em aprender a língua apurinã e incentivar o seu uso.

Purus 24-02-09 Rogério Link Pequena

O povo Apurinã faz parte da família lingüística Maipure-Aruak, do ramo Purus, e autodenomina-se pupỹkary (seria mais ou menos assim: pupingari). Não existem dados consistentes sobre a população, mas gira em torno de 4 mil pessoas. O ISA (Instituto Socioambiental) fala em 3.256, em 2006. Eles dividem-se em dois troncos, Xuapurunery e Metumanety. A linhagem é passada de pai para os filhos e o casamento correto ocorre entre esses dois troncos. Cada grupo tem suas restrições alimentares. Os Xuapurunery não comem o inhambu-relógio e o inhambu-macucau. Os Metumanety não comem caititu. Além da divisão em troncos, os Apurinã também se subdividem em grupos familiares designados por um animal, como por exemplo: kyryakury (grupo do rato), exuwakury (grupo do tamanduá-bandeira). Devido ao intenso contato, a nomeação dos grupos familiares já não é mais muito conhecida. Até o momento, além desses dois grupos, consegui listar mais cinco grupos, a saber, kairiakury (grupo do mambira, tamanduá-colete), kemaakury (grupo da anta), upitaakury (grupo do japó), kureruakury (grupo do papagaio [uma espécie não identificada aqui]), sutyakuty (grupo do veado roxo). Essas informações ainda são inconclusas. Em literatura, encontrei ainda ximakyakury (povo do peixe), kaikyryakury (povo do jacaré), wawakury ou wawatuwakury (povo do papagaio).

Temido por ser um povo guerreiro, os Apurinã ocupavam, tradicionalmente, as margens do Médio Rio Purus e seus afluentes, desde o Sepatini até o Hyacu (Iaco), além dos rios Aquiri (Acre) e Ituxi. Os municípios com maior presença são Boca do Acre, Pauini e Lábrea, no Amazonas. Atualmente, estão dispersos em 36 Terras Indígenas ao longo do Rio Purus e seus afluentes, na bacia do Rio Madeira ou ainda no Solimões. Também podem ser encontrados em torno de 400 indivíduos vivendo na cidade de Rio Branco, no Acre. Há ainda mais ou menos 60 indivíduos na aldeia Mawanat, na Terra Indígena Roosevelt em Rondônia.

Camicuã 19-04-09 Rogério Sávio Link Pequena

Ocupando as terras firmes, acampando nas praias dos rios apenas na época da desova dos quelônios, os Apurinã mantiveram-se como um povo considerado arredio e perigoso durante muito tempo. Os primeiros contatos dos Apurinã com a sociedade envolvente foram com os espanhóis durante a primeira metade do século XIX. Do lado português, Manoel Urbano da Encarnação, que já andava pelo Purus na extração das “drogas do sertão” muito antes de 1845 e que posteriormente se estabeleceu como um seringalista, atraiu e “pacificou” algumas aldeias. Desde então, tem ocorrido um processo longo e gradual de aculturação, “transformação” dos Apurinã em seringueiros e ribeirinhos. Nesse sentido, já em maio de 1898, o governo republicano criou um decreto de regulação dos serviços de catequese e civilização dos índios. A idéia era assentar os índios em lotes para os converter em agricultores. A partir de 1910, com a criação do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), os Apurinã foram submetidos a esse modelo. O processo de aculturação que se seguiu durante todo o século XX, levou os Apurinã a serem confundidos com qualquer outro seringueiro, posseiro ou ribeirinho. Hoje muitos Apurinãs não vivem mais em aldeias, mas estão espalhados em lotes por suas terras recém re-conquistadas ou por re-conquistar.

Além da política de aculturação, os constantes conflitos internos que tradicionalmente fazem parte da cultura apurinã também são responsáveis pela grande divisão interna e pela sua dispersão. Distantes uns dos outros e muitos não falando mais a língua, o povo apurinã encontra-se enfraquecido. No entanto, a situação já foi pior. Com a demarcação de algumas áreas, com a luta para a demarcação de outras, com a necessidade de se organizar para buscar assistência na área da saúde e da educação, os Apurinã estão se fortalecendo. É nesse contexto que a área da educação tem sido eleita pelos Apurinã para ser uma ferramenta importante na sua reconstrução cultural. Em quase todas as reuniões e discursos das lideranças e pessoas de mais idade, surge a necessidade da revitalização e valorização da língua apurinã. Nesse sentido, tenho estimado que nos municípios de Boca do Acre e Pauini apenas 10% do povo Apurinã sabe falar sua língua materna. Desses, apenas 2% faz uso regular da língua. Essa estimativa, no entanto, é apenas superficial, pois não tenho realizado até o momento nenhuma pesquisa que possa quantificar isso.

Pois é, tenho andado pela região, navegado os rios e igarapés, conhecido muita gente, inclusive outros povos indígenas, como por exemplo, o povo Kanamari que, como podem ver abaixo, me receberam com muita caiçuma. Abraço para todos e todas!

Kanamari rio Itucumã

IECLB

17 de Fevereiro de 2009

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com sede em Porto Alegre-RS, tem sua origem no movimento reforma da igreja no século 16 do qual Martim Lutero foi um grande protagonista. Na sua descoberta doutrinária, baseada em seus estudos da Bíblia Sagrada, Lutero afirma que o ser humano é salvo por graça e fé e não por obras meritórias.

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